Artigo - MEDITAÇÃO, MOTIVAÇÃO,

Como avaliar se uma prática de meditação é boa ou não?

É muito fácil avaliar a meditação com base em o quanto você se sente enquanto está meditando, mas essa não é uma avaliação muito útil.

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Então, eu gostaria de passar adiante um conselho vindo de gerações e gerações de contemplativos e ele é: quando estiver empenhado em uma prática meditativa de qualquer tipo, é uma tendência natural avaliar a prática, o quanto está indo bem, se é uma boa prática, uma prática ruim, em termos de como você se sente enquanto está meditando. Você se sente melhor? Mais calmo? Mais feliz? Bem-aventurado? É muito fácil fazer isso. Mas é uma maneira muito superficial de avaliar a prática. Seria como ser muito sedentário, fora de forma, e ter muito pouca resistência, força e assim por diante, e ir até uma academia e avaliar os exercícios com base em como você se sente enquanto se exercita. Se você está frequentando uma academia e tem um treinador, se esta fazendo isso regularmente, espere um mês para avaliar se esta seleção de exercícios ou este regime é bom para você. Mas não no primeiro dia, não depois da primeira semana, será pouco tempo. Mas depois de um mês indo regularmente, talvez três vezes por semana à academia,  se não tiver nenhuma melhora, se não estiver conseguindo a mudança que você quer, então você provavelmente deveria buscar outra academia, treinador ou exercício.

Se você está procurando não apenas ter uma boa experiência com a meditação — e é muito fácil procurar por isso, mas você pode ter experiências com todos os tipos de coisas que requerem muito menos esforço para isso. Então se você quer concretizar uma mudança significativa e sustentável, o critério real para avaliar “este tipo de meditação versus aquele” é: como a prática te influencia quando você não está na almofada? Qual a qualidade da prática quando você está na almofada, mas mais importante, todo aquele tempo quando você não está na almofada. E, conforme se passam as semanas, você descobre uma melhora e uma transformação significativa em termos de todos os “três grupos alimentares”: maior equilíbrio da atenção, maior compreensão interior, cognitiva, maior abertura do coração e assim por diante. Um mês é uma quantidade de tempo razoável.

É muito fácil, mais uma vez, avaliar a meditação com base em o quanto você se sente bem enquanto está meditando, mas essa não é uma avaliação muito útil. (…) Quando você estiver se sentando para meditar, verifique qual é a qualidade da sua mente, qual grau de equilíbrio mental antes de começar. E então, a coisa mais importante é: quando você chegar ao fim da sessão, não tenha um tipo de padrão abstrato ou um padrão de “ouro” independente, “esta prática foi boa, essa não foi boa”, porque isso não é útil. Ao invés, considere o grau de equilíbrio mental com que você começou e se no final houve alguma melhora. Estava mais equilibrado? Ou ao menos um pouco mais relaxado? Ou o coração um pouco mais aberto? E assim por diante.

Mas não espere até que tudo esteja bem antes de começar a meditar. É fácil se você diz: “Eu estou muito agitado”, “Eu estou muito estressado”, “Estou muito cansado”, “Estou muito ocupado”, “Estou muito qualquer coisa, e por isso não vou meditar.” E então você medita e descobre que foi realmente ruim. “A minha mente estava agitada o tempo todo.” Talvez estivesse, mas isso é como dizer: “Estou doente demais. Não vou tomar o remédio.” Pois é exatamente quando você mais precisa do remédio, certo? Então, tenha uma abordagem muito gentil, uma abordagem perspicaz, uma abordagem do panorama geral, e não tenha apenas uma ideia pré-concebida: “Esta é uma boa meditação; esta é uma meditação ruim”, comprando uma ideia que eu vi na imprensa, que há algo chamado “estado meditativo”.

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Escrito por
Alan Wallace

Palestrante dinâmico, Ph.D. e um dos mais prolíficos escritores e tradutores do budismo tibetano no Ocidente. Procura continuamente formas inovadoras para integrar práticas contemplativas com a ciência ocidental.

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