Artigo - Compaixão, EQUILÍBRIO EMOCIONAL, QUOTIDIANO,

A sobrevivência do mais bondoso

Sem compaixão nós não sobreviveríamos. Ainda assim, nem sempre é fácil trazer a compaixão para a nossa vida diária. Aprenda a fortalecer o seu músculo da empatia com essas 11 dicas e insights.

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A compaixão é o sentimento que surge naturalmente quando você aprende sobre o sofrimento do outro. E isso motiva você a querer fazer algo para ajudar. Longe de ser apenas uma gentileza social, a compaixão tem um grande propósito evolutivo: os descendentes humanos são os mais dependentes e vulneráveis de qualquer espécie e precisam de mais cuidado dos outros para sobreviver. Esta dependência total, diz Charles Darwin, é a razão pela qual a simpatia é o instinto mais forte da humanidade. Simplificando: sem compaixão, não sobreviveríamos.

Se você se sente menos comovido do que gostaria – ou talvez seu músculo de empatia tenha ficado um pouco fraco devido à falta de uso – aqui estão algumas maneiras de fortalecê-lo. Você e todos os outros seres vivos se beneficiarão dos resultados.

1. Enxergue além do áspero exterior
Quando alguém age de forma desagradável ou é apenas geralmente difícil de lidar, não é fácil sentir compaixão. Mas quase sempre há uma razão para esse comportamento. Se pudermos fazer uma pausa e tentar reconhecer isso, nosso coração pode suavizar e criar uma abertura para a possibilidade de maior conexão e cura. Existe uma “personalidade difícil” em sua vida que você pode tentar ver sob uma luz diferente?

2. Crie efeitos cascata
Acontece que bondade e generosidade são contagiantes. Um estudo de 2010 descobriu que quando testemunhamos generosidade, isso nos inspira a ser mais generosos. Na verdade, os pesquisadores descobriram que o efeito cascata dessa gentileza se espalha em três graus. Agir compassivamente faz a mesma coisa. Para onde você pode propagar hoje?

3. Uma coisa por dia
Olhe em volta e observe quem em sua vida está passando por um momento difícil e poderia usar algum apoio. O gesto pode ser grande, como trazer uma refeição para os enfermos ou relativamente pequeno, como enviar um e-mail ou uma observação para que alguém saiba que você está pensando nele. Comece a prática de fazer uma coisa a cada dia por outra pessoa.

4. Tente Compreender
Muitas vezes, a nossa desconexão resulta de uma falta de compreensão. No entanto, esforçar-se para entender de onde uma pessoa está vindo naturalmente provoca sentimentos de compaixão e conexão. Isso não desculpa o mau comportamento, mas nos dá uma perspectiva e nos ajuda a não levar as coisas de forma tão pessoal.

5. Pratique a gratidão
A maioria de nós tem sido receptor de gestos gentis e compassivos em algum momento de nossas vidas – uma apresentação que levou a um novo emprego; um elogio ou palavra amável no momento certo; um presente inesperado. Reserve alguns momentos para relembrar uma dessas experiências e veja se você pode aproveitar a gratidão que sentiu na época, e talvez ainda consiga sentir.

6. Seja gentil consigo mesmo
Às vezes é mais fácil sentir-se compassivo por outro do que por si mesmo. Mas a verdadeira compaixão não discrimina. Da próxima vez que você estiver passando por um momento difícil, veja se pode oferecer alguma gentileza. Você pode se surpreender com o quanto isso ajuda – e ajuda você mesmo a se sentir mais gentil com os outros.

7. Comemore a imperfeição
Uma das fontes mais corrosivas de autocrítica vem da crença de que precisamos ser “perfeitos”. Longe de nos tornar “melhores”, essa atitude pode nos levar a mergulhar em pensamentos obsessivos, ansiedade e depressão. Tente isto: Se você cometer um erro ou não for perfeito em alguma coisa, levante os braços e grite “Hooray” ou “Woo-hoo!”. Adotar uma abordagem mais lúdica da vida é um grande ato de autocompaixão, treine seu cérebro para deixar ir, aprender com os erros e para simplesmente começar de novo.

8. Apenas o que o médico pediu
Pesquisas mostram que sentir compaixão é bom para nós. Isso faz com que a frequência cardíaca diminua, o que nos torna mais relaxados e calmos; leva à liberação da oxitocina do “hormônio da conexão”, que nos ajuda a nos sentirmos mais conectados e amorosos com os outros; e ativa regiões do cérebro ligadas à empatia, ao cuidado e ao prazer.

9. Estenda a mão e toque em alguém
Em 2006, James Coan, psicólogo e pesquisador da Universidade da Virgínia, descobriu que segurar a mão de um ente querido reduz significativamente a reatividade do cérebro a choques elétricos. Quando um ente querido estiver com dificuldades, veja se não há problema em dar um abraço ou segurar a mão dele. Se você está lutando, observe o que acontece quando você coloca as mãos no coração ou no estômago.

10. Genes mais felizes
Pesquisadores descobriram que as pessoas que praticam ativamente a compaixão e o altruísmo têm níveis mais baixos de expressão gênica inflamatória e maior expressão de genes antivirais e de anticorpos do que pessoas que vivem por uma maior autogratificação ou prazer. “Fazer o bem” e “sentir-se bem” podem ser coisas diferentes, mas através do “fazer o bem” você pode ter as duas coisas.

11. Conheça sua autocrítica
Você provavelmente tem as mesmas histórias autodestrutivas, as mesmas críticas repetidas vezes. Faça um “Top 10 Hit List” de pensamentos autocríticos. Ao observá-los surgir (como inevitavelmente o farão), reconheça: “Ah, aí está você. Eu queria saber quando você apareceria. ”Então, respire fundo e diga:“ Que eu seja livre de ser tão duro comigo mesmo, que todas as pessoas sejam livres de serem tão duras consigo mesmas, que todos nós possamos viver com facilidade.”

Uma caixa de conselhos simples
Transforme valores em verbos

Quando perguntados sobre o que eles mais valorizam no mundo, as pessoas costumam dizer coisas como “paz”, “compaixão” ou “conexão”. Mas, para tornar isso real, temos que transformar esses valores em verbos, tornando-os mais específicos e práticos. Se você valoriza a compaixão, como isso se parece no dia a dia? Pegue um pedaço de papel, escreva “Compaixão” no topo e crie uma lista de ações, pequenas a grandes, que você pode começar a fazer imediatamente. É assim que vivemos as palavras de Gandhi: “Seja a mudança que você deseja ver no mundo”.

 

Artigo publicado originalmente em Mindful e traduzido por Daniele Vargas.

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