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A chave para a felicidade: compare menos, seja mais

“A felicidade é encontrada quando você pára de se comparar com outras pessoas.”
Desconhecido

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Stargazing

Saindo do ônibus eu estava em estado de choque.

Essa coisa minúscula? Sem portas nas entradas e sem vidros nas janelas?

Este pequeno lugar? Com paredes que pareciam ser solitários sobreviventes da guerra?

Eu tinha certeza de que seria um local abandonado se não fosse pelas centenas de pequenas pegadas no solo pisoteado que compõem o chão da escola. Um campo gigante com dois troncos eretos em ambos os lados servia como gols para o que supostamente era uma quadra. Eu sempre achei que esses tipos de experiências deveriam fazer você se sentir grato pelo que tem. No entanto, o que aconteceu naquele dia me fez sentir pobre.

Hoje estávamos pintando uma escola no norte da Costa Rica. Quando o segundo ônibus parou, crianças invadiram o campus. Pincéis na mão e latas de tinta a mostra, o dia de trabalho começa. Embora ninguém em nosso grupo falasse espanhol, a comunicação fluiu sem esforço.

Após o início, a diligência e o nível de atenção dessas crianças foi inspirador. No entanto, o que mais me impressionou foi o quão felizes eles estavam. Era como se eles nem percebessem que a escola não tinha um andar. Eu não conseguia entender de onde esta abundância de felicidade estava vindo até que eu conheci Luis.

Em algum lugar entre o inglês mal falado e o espanhol mal falado, entramos em contato. Eu perguntei a ele sobre sua vida e ele perguntou sobre a minha. Fiquei chocado quando ele não tinha ideia do que era Nova York. Como ele poderia não conhecer Nova York? Tentei explicar, mas nossa barreira de idioma dificultou a pintura de uma imagem. Mudando de palavras para gestos, e de volta para as palavras, eu era como um mímico tentando representar uma música. Essas crianças eram realmente felizes de uma forma que eu nunca vi as crianças nos Estados Unidos serem.

Então isso me atingiu.

O que a sua família não possuía em suas contas bancárias, eles compensavam em felicidade.

Essas pessoas não verificaram seus feeds do Instagram, passando horas por dia comparando suas vidas a de pessoas do mundo todo que nunca conheceram. Todos ao seu redor estavam relativamente no mesmo nível econômico.

Essas crianças priorizavam relacionamentos e tempo ao ar livre, não seus telefones celulares ou consoles de vídeogame. Suas expectativas eram baixas e o entusiasmo pela vida era alto. Eles eram ricos em todos os sentidos que eu não era. Eles eram milionários da felicidade sem limites de crédito em sua alegria.

Levando comigo

A vida não é composta de muitas decisões importantes, mas da composição de milhares de pequenas. Ao analisar nossas faturas de cartão de crédito, essas decisões são fáceis de ver, mas a maior parte da vida não vem com essa transcrição.

Eu não consegui reprogramar minha mente instantaneamente, antes de me bater na cabeça e esperar esquecer o mundo que eu conhecia. Eu me perguntei quais pequenas mudanças que eu poderia fazer em minha vida para ser mais parecido com o Luis. Se eu pudesse identificar os momentos do dia em que me comparo aos outros e minimizar isso, meu nível de felicidade poderia aumentar?

Eu decidi executar o experimento.

Depois de passar três dias sendo hiper consciente de todas as minhas ações, encontrei, em média, trinta e sete instâncias por dia em que eu me comparava a outra pessoa. Aqui foi o colapso onde esses momentos ocorreram:

58%: enquanto navegava em alguma mídia social

33%: No mundo externo (indo para o trabalho, no trabalho, fazendo compras, etc.)

10%: durante uma conversa com outra pessoa

Ver as coisas quebradas dessa forma foi uma abertura de olhos. Essa tarefa passou de avassaladora e impossível, para acionável e realista.

Meus resultados e plano de ação

Mídia social
Mesmo que isso representasse uma porcentagem enorme, eu nunca fui alguém que ficasse nas mídias sociais muitas horas por dia. No entanto, notei que em apenas uma sessão eu poderia acumular várias contagens de me comparar com os outros. Para combater isso, em vez de desligar as mídias sociais, mudei o foco para quem eu estava prestando atenção.

Todas as celebridades que não acrescentavam nada à minha vida, exceto os estilos de vida chamativos, foram deixadas de lado, excluídas e substituídas por um conteúdo mais útil. A maioria dos conhecidos que eu não conhecia bem também foram removidos. Meu feed tornou-se uma mistura de relacionamentos pessoais próximos e coisas legais interessantes que eu poderia aprender.

No mundo / durante uma conversa
Esses dois eram muito mais difíceis de combater. No entanto, embora a solução para eliminá-las estivesse longe de ser fácil, era bem simples. Como não consegui evitar esses pensamentos, eu usava o bloco de notas no meu telefone e registrava as instâncias depois que elas ocorriam. Depois de observar cada ocorrência, eu escrevia: “Compare menos, seja mais”.

Em cerca de duas semanas, algo estranho começou a acontecer.

Não só vi uma redução dramática na minha contagem, mas agora meu cérebro se recuperaria. Certo de que eu estava prestes a me comparar com algo ou alguém, o princípio surgiria em minha mente, “Compare menos, seja mais”. Isso quebrava instantaneamente meu padrão de pensamento e me colocava de volta no momento presente. Isso não aconteceu todas as vezes, mas acontecia mais e mais a cada semana.

Depois de um mês, notei um aumento dramático na minha felicidade. Eu conduzi o experimento novamente e encontrei o número de comparações diárias reduzidas de trinta e sete para nove.

Em última análise, grande parte da nossa infelicidade vem de nós mesmos olhando para a grama verde dos outros, negligenciando os nossos próprios quintais. Nós nos concentramos em comparar e competir ao invés de criar e ser. Não ter uma Ferrari não nos torna menos, mas constantemente nos lembrar de que não temos uma Ferrari absolutamente o faz.

Quando atribuímos nossa autoestima a algo ou a alguém, ela não é mais nossa. Limitamos o fluxo de ideias e a gama de ações à medida que nos aproximamos da vida a partir de um estado de carência.

Da próxima vez que você estiver obcecado por algo que você não tem, lembre-se de comparar menos, e de ser mais. Talvez um dia todos possamos ser tão ricos quanto Luis, o garoto mais rico do mundo.

Artigo originalmente publicado em Tiny Buddha e traduzido por Daniele Vargas

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